Amálgama de mercúrio: o que considerar antes de remover
Remover é uma boa ideia — remover errado é pior do que não mexer. A técnica que evita o vapor de mercúrio, o que colocar no lugar e por que a ordem importa.
O amálgama dentário é composto por cerca de 50% de mercúrio — o elemento mais tóxico da tabela periódica.
Ele não fica inerte dentro do dente. Vaza continuamente pequenas partículas de mercúrio, estanho e cobre, intoxicando o organismo de maneira gradual e silenciosa. E o mercúrio liberado é convertido pelas bactérias em metilmercúrio, uma neurotoxina.
Hoje existe literatura extensa sobre os riscos, e a proibição do material em países como Alemanha, Suécia e Dinamarca indica que o assunto não é marginal.
Especialistas afirmam que o suprimento constante de mercúrio vazando dos dentes sustenta uma infinidade de sintomas, e que não é possível uma recuperação integral sem antes remover a fonte.
Por que remover errado é pior
Esta é a parte que decide tudo, e a que quase nunca é discutida antes do procedimento.
Mercúrio é volátil. Cavar um amálgama com furadeira libera vapor — que contamina o paciente e o próprio dentista, a menos que ambos estejam usando equipamento de proteção específico.
Ou seja: uma remoção feita sem técnica adequada pode entregar, em vinte minutos, mais mercúrio do que o amálgama entregaria em anos. Você teria pago para acelerar exatamente o que queria interromper.
A técnica que evita isso
O ideal é remover o amálgama cortando o dente ao redor da obturação, sem tocar nela.
Perde-se um pedaço maior de dente. Ganha-se — e muito — em segurança.
Pergunte isso ao dentista antes de marcar. A resposta dele a essa pergunta específica é o melhor indicador de que ele conhece o assunto.
O que colocar no lugar
Tradicionalmente, resina ou cerâmica. Há profissionais que trabalham com pedras semipreciosas, como quartzo.
O critério é o mesmo de sempre: material que não devolva ao corpo um problema equivalente ao que acabou de sair.
A ordem que faz diferença
Remover a fonte não retira o que já está depositado. São dois trabalhos diferentes.
O mercúrio já acumulado está no tecido neurológico, e sai por um protocolo de quelação — que precisa das vias de eliminação abertas para funcionar, sob pena de apenas mobilizar o metal de um lugar para outro.
Uma sequência que costuma fazer sentido:
- Intestino funcionando — sem via de saída, nada disso serve
- Remoção dos amálgamas com técnica adequada, para parar de acrescentar
- Quelação do que já está depositado, algumas semanas depois
Fazer a quelação com os amálgamas ainda na boca é tirar água de um barco com o furo aberto: funciona, mas você trabalha contra uma entrada contínua.
Uma nota de realismo
Nem todo mundo consegue trocar todos os amálgamas de uma vez — é caro, e nem todo dentista domina a técnica.
Se for o seu caso, priorize por quantidade e por tempo: as obturações maiores e mais antigas primeiro. E, enquanto isso, reduza o resto da carga — panela de alumínio, enlatado, desodorante antitranspirante, peixe grande de topo de cadeia.
Carga tóxica é soma, e é o que o artigo sobre sinais de intoxicação por metais pesados detalha — assim como o terreno decide o quanto dela o corpo suporta. Você não precisa zerar tudo de uma vez para que a soma comece a cair.