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Terreno biológico: cândida, disbiose e o pântano

Béchamp contra a teoria do germe, na prática. Por que o excesso de glicose é o combustível do desequilíbrio, o que as 79 microtoxinas fazem com o fígado e por que atacar o germe não resolve.

Por Daniél Rocha · Naturopata · Neuronutrição3 min de leitura

"Moscas não criam um pântano — é o pântano que atrai as moscas."

A frase é do biólogo Antoine Béchamp, e é a virada de chave que separa duas formas de pensar saúde.

As patologias não atacam um terreno biológico equilibrado. Elas encontram território propício para crescer e prosperar quando o corpo sai de sua homeostase. Tratar apenas atacando vírus, fungos ou bactérias é uma abordagem incompleta e, no longo prazo, quase sempre ineficaz — porque não arranca a raiz.

E a raiz é quase sempre a mesma, não importa como a coisa se manifeste: um desequilíbrio do terreno.

O que desequilibra

Alimentação inadequada, excesso de açúcar, estresse, poluição ambiental, sistema imunológico mal calibrado.

Qualquer combinação disso torna o terreno favorável ao desenvolvimento desordenado de bactérias, fungos e nanobactérias — entre elas a cândida, um fungo.

As 79 microtoxinas

Esses invasores não apenas ocupam espaço. Eles excretam 79 tipos diferentes de microtoxinas, que poluem o sangue e fazem o fígado sofrer para filtrá-lo.

É aqui que a conta fecha e que o problema deixa de ser local: um intestino em disbiose produz uma carga de trabalho extra para o fígado, todos os dias. O fígado sobrecarregado filtra pior, o sangue fica mais poluído, e o terreno piora — o que favorece ainda mais os fungos. O ciclo se alimenta sozinho.

Por isso, no método, intestino e fígado nunca são tratados como assuntos separados.

O combustível: glicose livre

O que mais contribui para o supercrescimento desses patógenos é o excesso de glicose circulando livremente pelo sangue.

Esse é o verdadeiro risco dos alimentos de alto índice glicêmico — açúcar, pães, massas, cereais refinados, frutas muito adocicadas. Não é a caloria. É que eles elevam a taxa de açúcar na corrente sanguínea e servem de alimento direto para o crescimento de fungos e bactérias, criando o ambiente interno em que doenças de todo tipo se manifestam.

Retirar o açúcar não é dieta, nesse contexto. É retirar o combustível.

O que reverte

A reversão passa pela correção do pH — e ela se cumpre por uma série de procedimentos, não por um só:

  • limpeza dos rins
  • limpeza dos intestinos
  • limpeza do fígado
  • reestruturação da flora intestinal
  • adoção de hábitos alimentares saudáveis
  • transformação de padrões internos, abandonando emoções e pensamentos negativos

O último item costuma ser lido como enfeite espiritual. Não é. Estresse crônico é um dos desequilibradores listados no começo desta página, e nenhuma dieta compensa um sistema nervoso que nunca sai do modo de alerta.

Onde entram os verdes

O fator mais simples de acrescentar é o mais subestimado: alimentos verdes na rotina, especialmente folhas escuras, especialmente em forma de suco.

A enorme incidência de doenças da civilização atual poderia ser reduzida pelo simples acréscimo de quantidades significativas de verdes.

Opções: couve, salsinha, folha de brócolis, folha de couve-flor, chicória, coentro, chlorella, spirulina, pepino, limão, e até sumo de capim — colhido e batido com água ou água de coco. Folhas de amoreira, morangueiro e outras espécies selvagens comestíveis contam.

Gradualmente, a sensação de conforto dentro do próprio corpo se amplia. É um retorno lento e sem drama — o oposto do que o mercado de detox promete, e o motivo de funcionar.

O que fazer com isso

Se você está no começo, a ordem prática é esta: tire o que alimenta o pântano antes de tentar secá-lo. Reduzir drasticamente o alto índice glicêmico e acrescentar verdes muda o terreno sem nenhum protocolo — e é o que faz os protocolos, quando vierem, renderem o que deveriam.

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